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Quem tem medo de Mallu Magalhães?

Meros mortais, tremei.

 

Eis que a mais nova sensação da internet virou moda: ninguém mais pode ficar alheio ao fenômeno Mallu Magalhães (com dois "L", por favor). Cult que é cult, tr00 mesmo, escuta Mallu Magalhães! Se você é uma pessoa antenada nas novas tendências musicais, digite no seu navegador: http://www.myspace.com/mallumagalhaes . E já vai decorando.

 

Ok, fala sério. A Bravo!, editorial de "cultura" (ahn? o que é cultura?) da Abril tem seus altos e baixos. Um dos baixos foi ter dedicado uma matéria de umas duas ou três páginas, fotos grandes e vistosas, à Mallu Magalhães, dezesseis anos, a mais nova promessa da música popular brasileira. Dona de uma voz pueril, com o cheirinho e o frescor da adolescência, Mallu têm lotado as casas de show por onde tem passado Brasil afora, com a presença de um responsável legal, óbvio.

 

Mas e daí?

 

E daí que as pessoas não tem mais para onde correr, esta é a verdade. Os mesmos que elevaram o Los Hermanos ao status de "melhor banda do Brasil" ou "a melhor junção entre o rock e a mpb" viram-se obrigados a farejar outras coisas com o fim do grupo. Ora, Los Hermanos é Los Hermanos. Uma banda que tinha talento, fato, e que deixou um belo legado à música brasileira. E que acabou.

 

Agora Marcelo Camelo lança o seu trabalho solo, Amarante divide-se entre o Little Joy e a Orquestra Imperial, Barba desbrava o Brasil com o Canastra e Bruno Medina, bem, ele continua com o blog, acho. Enquanto a vida continua, muitos negam-se a aceitar que, de fato, estamos sem artistas emblemáticos no cenário musical atual - o que é uma pena, pois tem muita gente melhor escondida no MySpace. E aí que entra Mallu Magalhães.

 

Encaremos: Mallu Magalhães não tem nada de muito diferente. Ao contrário de boa parte das meninas de sua idade ela tem um gosto musical, indiscutivelmente, acima da média. Ao invés de gostar de emo, High School Musical ou música-eletrônica-barata, ela descobriu os LP's do papai, empoeirados, numa caixa da garagem, e escuta Bob Dylan e Johnny Cash. Ah! Ela conserta instrumentos nas horas vagas também.

 

Era necessário que fosse eleito o mais novo ícone/porta-voz/ídolo/todasasanteriores de uma vindoura geração de músicos brasileiros e Mallu caiu como uma luva. Suas canções água-com-açúcar foram divulgadas pelo MySpace, e com um empurrãozinho midiático, atingiram certo sucesso. Após ter sido abençoada por Camelo (não, não estou falando do namoro deles), dividindo com o mesmo uma música no mais novo trabalho "Sou", a inocente Mallu não entende que é apenas a cerejinha de um bolo muito mal ajeitado. É claro que Mallu virou estrela: além de Sandijúnior, que outro ídolo jovem teve a perspicácia de manter uma certa coerência/tato no seu trabalho musical? Felipe Dylon? Tudo caiu como luva. O Brasil precisava de Mallu, mas Mallu não precisava do Brasil.

 

Não que eu ache que a moça seja uma nulidade: as canções que escutei através do MySpace são ajeitadas e bem produzidas, a voz é melancólica e bonitinha, os arranjos são light - perfeito pra escutar no iPod em um domingo de sol, na praia. Mas falta estofo - para Mallu e para o público. Falta entender que, Mallus vão e vêm, e que artistas vanguardistas (inclua Los Hermanos aí) demoram um tanto mais para aparecer. No sentido de ser a "primeira artista 100% gravadoras-free", Mallu, para mim, só representa o óbvio: enterramos de vez a ditadura das gravadoras e grandes selos. O MySpace abriga muita gente talentosa, mas e espaço para todos? Por que deram esta vaga afortunada à Mallu (que carece de mais atributos, enquanto musicista)? O público escolhe o que ouve, mas, na minha opinião, deveria viajar mais pela internet. Enquanto isso, Mallu está sendo Mallu.




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Redigida por
Cauê Marques
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