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62º Salão Paranaense de Artes Plásticas- MAC- Curitiba |  | O Salão Paranaense de Artes Plásticas é o mais antigo evento do gênero no país. Acontece, ininterruptamente, desde 19944, e também um dos mais tradicionais (leia-se, importante). Como é moda há algum tempo, também é realizado com periodicidade bienal.
Nessa edição (a 62ª), que acontece no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC), em Curitiba, estão a disposição para o deleite ( ou desgosto) do público, as obras de 27 participantes, divididos em artistas nacionais convidados, artistas convidados do Mercosul e participações espontâneas. Salvo no que diz respeito aos convidados do Mercosul, cuja escolha é feita pelos órgãos competentes ( pelo menos é o que eles dizem) de seus respectivos países, a escolha dos artistas, sejam eles convidados ou aqueles que enviaram seus trabalhos para apreciação e esperaram ansiosamente fazer parte de tão renomado evento, foi feita por um conselho curador, formado por 5 respeitáveis conhecedores de arte contemporânea, cujos nomes não pretendo citar pois creio que isso seja irrelevante para a discussão que seguirá.
Agora que os dados informativos que constituem as engrenagens do fantasioso mundo do circuito oficial da arte contemporânea estão postos, vamos ver as coisas sob uma perspectiva um pouco mais realista.
Se eu estivesse falando sobre arte contemporânea em geral, lembrando de tudo que tenho visto nos últimos anos em bienais, salões e eventos do gênero, até ontem , provavelmente classificaria a maioria das obras como produtos de uma arte absurdamente elitista, da qual só tira proveito que conhece códigos determinados, assina a Bravo ou é estudante de arte ( logo, pretenso artista). Mas depois do que vi nesse respeitável evento, sou obrigada a mudar meu discurso. Diante de toda aquela diversidade artística, nem mesmo o maior conhecedor de códigos contemporâneos seria capaz de desvendar o misterioso critério que levou o conselho curador a escolher tanta coisa sem graça. Pior, sem graça, sem técnica, sem sentido, sem conceito, sem estilo.
Deparar-se, em eventos do circuito oficial, com um monte de bobagem, entre uma coisa ou outra mais interessante já é lugar comum, mas o tradicional Salão Paranaense supera qualquer expectativa. É um amontoado de obras superficiais, de conceitos rasos e repetitivos, de lugar comum, de figurinhas carimbadas. Vídeos mal- feitos com misturebas insuportáveis como Tom Cruise, Tróia, Barney (aquele dinossauro americano, todo roxinho) num desenrolar de algo que até poderia ser bom se não fosse tão mal-feito, além daqueles vídeos clássicos de barulhos insuportáveis, imagens distorcidas, pinturas feias e sem técnica ( nem conceito, antes que os amantes da arte conceitual gritem no meu ouvido).
Isso tudo demonstra sintomas preocupantes. Se, conforme aponta o jornal Gazeta Do Povo, “ o Salão cumpre seu papel, de ser uma espécie de vitrine de tendências da arte, e ao mesmo tempo incentivar a produção artística contemporânea”, ou o conselho curador (entre tantos por aí), e toda a arte contemporânea em geral, perdeu totalmente os critérios, ou a produção contemporânea se perdeu de tal maneira, que o que estamos vendo é realmente o que de melhor podemos encontrar entre as novas gerações de artistas. ( lembrando sempre que estamos falando do que circula no circuito oficial, de quem produz arte para este fim, pois entre categorias mais “alternativa”- não é a melhor palavra mas agora serve- isso já é bem diferente. Porém , este é assunto para alguns textos adiante)
O que vejo é que a arte conquistou uma liberdade de ação e atuação tão maravilhosa e tão impressionante, mas parece ter se perdido em alguma curva. Temos a possibilidade de explorar qualquer tipo de técnica, e qualquer mistura entre essas tão diversas linguagens e técnicas, qualquer tipo de suporte, uma força conceitual bárbara que potencializa o enriquecimento de qualquer trabalho, temos toda a história da arte e seus numerosos movimentos nas costas, mas o que vemos com maior freqüência é essa liberdade criando obras vazias conceitualmente e esteticamente. O efêmero e o fútil imperam. Assim como quase tudo no mundo capitalista. A arte foi definitivamente transformada no que Althusser chamou de Aparelho Ideológico do Estado. Só serve para efetivar mais alienação, principalmente, entre uma categoria potencialmente transformadora, a dos artistas em geral.
Há muitos anos o crítico e poeta Ferreira Gullar em seu livro “Argumentações Contra a Morte da Arte”, já apontava a efemeridade como uma das mais nocivas características da arte de nossos tempos. Inevitavelmente, ante tudo que temos visto nos últimos anos, é bem possível que ele tenha mais razão do que imaginava. A arte está com o pé na cova. Basta olhar em volta e ver que ninguém (além dos envolvidos no assunto), suporta freqüentar uma mostra de arte contemporânea. E não venham dizer que o povo é burro, que não sabe apreciar o que é bom porque esse argumento já faliu há tempos.
Chega de arte para poucos. Alias, o que temos por aí, nem os mais eruditos ( ou melhor, principalmente eles) são capazes de aturar. O circuito oficial virou palhaçada. A liberdade virou camisa de força. E olha que um dos fortes argumentos contra o academicismo era a falta de liberdade. Estão fazendo o que com essa tão aclamada liberdade. É preciso um novo movimento contra esse anti movimento, que desconstrua a repetitiva desconstrução para enfim reconstruir algo relevante, coerente, forte e libertador. Porque aí sim poderemos chamar isso de arte.
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 |  |  |  |  |  |  | | 31/01/2008 14:35:33 - Caio Cambalhota | | Tô contigo Sarinha! Acabaram com a beleza na arte. Depois que o tal Duchamp expôs um mictório como peça artística, vale tudo! E alguns "artistas" usam a tal arte conceitual como desculpa pra sua falta de talento e preguiça.
=-O |
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